PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO E POLÍTICAS EDUCACIONAIS
DIVISÃO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL

Nome: Elizabeth Guedes Alcântara
Atividade: texto clássico – módulo 6
Mediador pedagógico: Neila Andrade Tostes López Santos


A mediação pedagógica no uso da Web 2.0 que possibilite a aprendizagem por meio da autoria


Elizabeth Guedes Alcântara

A Educação Brasileira passa por transformações com introdução das tecnologias digitais na formação de professores, uma vez que o ensino e a aprendizagem da escola contemporânea requerem uma mediação pedagógica que possibilite a aprendizagem por meio da autoria em todos os níveis de ensino.Esse assunto é debatido em cursos que envolvem a formação permanente do professor e o uso da Web 2.0 que pode favorecer essa mudança.
Segundo Masseto (2000, p.133) “até hoje não se valorizou adequadamente o uso das tecnologias visando a tornar o processo de ensino-aprendizagem mais eficiente e mais eficaz.”
Afirma ainda que existem várias razões para a desvalorização da tecnologia entre elas a mais significativa é que ainda muitos professores baseiam suas aulas no formato ministrado por seus antigos mestres, continuam a passar a “matéria” no quadro de giz, utilizam o livro didático com informações descontextualizadas e conceitos ultrapassados.
O que está em questão é a importância de como ensinar e aprender virtualmente, uma vez que as tecnologias alteraram significativamente o ensinar e o aprender na escola, o entrave ainda é a transformação da informação em conhecimento nessa era da nova cultura da aprendizagem. No entanto pode-se encurtar essa distância entre imigrante digital (professor) e nativo digital (aluno) com a aproximação do professor que vive no mundo analógico dos ambientes colaborativos e interativos de aprendizagem da Web 2.0 com a finalidade de promover a construção do conhecimento.
Como colocar em prática essa nova cultura de aprendizagem que adentra o ambiente escolar, que começa a provocar o professor sobre as mudanças recentes na forma de aprender dele e do aluno.
Demo (2000) no capítulo 3 do livro Educação Hoje: Web 2.0 e suas Ferramentas, afirma que “a pedagogia precisa reagir e tomar seu lugar no mundo virtual, também para imprimir nele os devidos cuidados educacionais. Não cabe mais descartar/desqualificar as tecnologias como meros instrumentos ou como algo suspeito.”
Essa transformação do ensino e da aprendizagem por meio do uso das tecnologias digitais requer um novo profissional da aprendizagem, que tenha fluência tecnológica, pesquise, aprenda com seus pares, produza o conhecimento em ambientes virtuais de aprendizagem, essa nova forma de aprender e de ensinar urge por professores abertos a aprender, que reconstruam radicalmente a forma de ensinar, conectados nas redes sociais, conhecedores do mundo que seu aluno vivencia durante horas, pois elas estão presentes na vida da criança pequena ao acadêmico do ensino superior, há muito tempo.
Segundo os autores Veen e Vrakking (2009, p. 12) é preciso que educadores entendam o conceito de Homo Zappiens,
O Homo zappiens é um processador ativo de informação, resolve problemas de maneira muito hábil, usando estratégias de jogo, e sabe se comunicar muito bem. Sua relação com a escola mudou profundamente, já que as crianças e os adolescentes Homo zappiens consideram a escola apenas um dos pontos de interesse em suas vidas.
Esses autores afirmam ainda que as escolas devem ser preparadas para acolher Homo zappiens a partir de uma transformação dos sistemas de ensino, pois para educar na era digital
é necessário saber o que eles pensam sobre a escola

O Homo zappiens parece considerar as escolas instituições que não estão conectadas ao seu mundo, como algo mais ou menos irrelevante no que diz respeito à sua vida cotidiana. Dentro das escolas, o Homo zappiens demonstra um comportamento hiperativo e atenção limitada a pequenos intervalos de tempo, o que preocupa tanto pais quanto professores. Mas o Homo zappiens quer estar no controle daquilo com que se envolve e não tem paciência para ouvir um professor explicar o mundo de acordo com suas próprias convicções. Na verdade, o Homo zappiens é digital e a escola analógica. (Veen e Vrakking, 2009, p. 12)
O profissional que atua na escola atual deve ser um pesquisador, interagir com as tecnologias para compreender como esses nativos digitais constroem o conhecimento, pois ambientes virtuais de aprendizagem favorecem conhecer o que sabem e tomar decisões para que eles recuperem a oportunidade de aprender.
Nesse momento o profissional da educação orienta a busca construtiva, direciona a pesquisa a ser realizada, sugere links que contenham conteúdos produtivos e confiáveis, ou seja, proporciona a fluência tecnológica, para que isso ocorra o professor deve ser leitor, pesquisador e mediador da aprendizagem, pois buscar informações na internet requer uma prática social de leitura tanto do professor quanto do aluno.
No que se refere ao aprendiz digital, já tem contato com as redes sociais, participa de jogos online, acessam a internet em casa, na Lan House ou no celular. Essa nova turma passa horas conectadas as redes sociais, interagem com pessoas de outros países, se comunicam fluentemente em vários idiomas.
As crianças hoje passam horas de seu dia assistindo à televisão, jogando no computador e conversando nas salas de bate-papo. Ao fazê-lo, elas processam quantidades enormes de informação por meio de uma grande variedade de tecnologias e meios. Elas se comunicam com amigos e outras pessoas de maneira muito mais intensa do que as gerações anteriores, usando a televisão, o MSN, os telefones celulares, os iPods, os blogs, os Wikis, as salas de bate-papo na internet, os jogos e outras plataformas de comunicação. Usam esses recursos e essas plataformas em redes técnicas globais, tendo o mundo como quadro de referência. (Veen e Vrakking,2009, p. 29).
Tendo em vista o avanço das tecnologias digitais na escola contemporânea considera-se primordial a troca de experiência entre professores, pois ela pode estimular aqueles que estão buscando novas metodologias, construindo assim, espaços coletivos de aprendizagem, em que a autoria de professores e alunos estejam presentes, elaboração de projetos interessantes que atendam as necessidades coletivas e individuais de alunos, ou seja, o professor conectado a rede aprende a ser pesquisador, elabora seus próprios textos, conhece e utiliza os recursos da Web 2.0, desta forma vivência e conhece como educar na era digital

O Homo zappiens aprende por meio do brincar e das atividades de investigação e descoberta relacionadas ao brincar. Sua aprendizagem começa tão logo ele jogue no computador e a aprendizagem logo se torna juma atividade coletiva, já que os problemas serão resolvidos de maneira colaborativa e criativa, em uma comunidade global. Os jogos de computador desafiam o Homo zappiens a encontrar estratégias adequadas para resolver problemas, a definir e categorizar problemas e uma variedade de outras habilidades metacognitivas na aprendizagem (Veen e Vrakking,2009, p. 12).
O terceiro capítulo do livro Homo zappiens chamado Entendendo o caos, apresenta as mudanças que essa nova geração provocou para tal é necessário compreender pontos importantes para ensinar o homo zappiens, tais como: habilidades icônicas - incorporação de símbolos e ícones para a busca da informação - as pessoas pensam por imagens; executar múltiplas tarefas; zapear - determinação dos núcleos essenciais de informação pertencentes a um fluxo de informação na busca de conhecimento significativo; comportamento não-linear – várias informações diferentes de muitos canais diferentes; habilidades colaborativas – para transpor e resolver problemas.
Para que o aluno aprenda com significado Masseto (2000) afirma que existem inúmeras possibilidades de aprendizagem com o uso das tecnologias, tais como: diversificar técnicas convencionais de mediação pedagógica; conhecer e utilizar diferentes suportes midiáticos; interação entre professores e alunos – aula passeio; acesso a pesquisa e a uma infinidade de informações que darão suporte a autoria; oportunizar a auto-aprendizagem, além de permitir a inter-aprendizagem; promover a formação permanente dos professores.
O crescimento e a democratização do meio digital tornaram realidade à utilização de novas ferramentas tecnológicas de aprendizagem que apóiam o processo de construção do conhecimento, como os jogos virtuais. Os jogos educativos possibilitam a análise de boas situações de aprendizagem apoiadas nas tecnologias da informação, uma vez que os jogos acompanham o homem desde a infância favorecendo a aprendizagem significativa e interativa.
A construção do conhecimento pode acontecer de maneira divertida e interdisciplinar, por meio de jogos e construções virtuais destinados as crianças e jovens, neste sentido o profissional que atua na escola necessita compreender o mundo virtual acessado pelo aluno, participar desses ambientes, das redes sociais e conhecer bons exemplos de jogos não comerciais que podem complementar a educação e diversificar as atividades educativas. Cysneiros (1999) “o professor atual tem que aprender a se comunicar na língua e estilo de seus estudantes, ir mais rápido, menos passo-a-passo, mais em paralelo, com mais acesso aleatório, entre outras coisas.”
Os jogos online e de construções virtuais oferecidos as crianças no meio educativo devem contribuir para uma construção circular de pensamento através das informações obtidas pelos indivíduos, ampliando a construção crescente desse pensamento circular; portanto, é necessária, a inclusão de relações de interação nesses processos, a fim de uma construção de conhecimento de modo espiral (circular e crescente).
As tecnologias facilitam o processo de ensino-aprendizagem; sensibilizam para novos assuntos, trazem informações novas, diminuem a rotina, nos ligam com o mundo, aumentam a interação, permitem a personalização e se comunicam facilmente com o aluno, porque trazem para sala de aula as linguagens e meios de comunicação do dia-a-dia, Moran (2009).
Esclarece ainda quais são e para que servem os recursos da chamada Web 2.0, ferramentas interessantes e colaborativas para ensinar e aprender na escola contemporânea, as chamadas tecnologias Web 2.0 como os blogs, escrita colaborativa (wiki), ou documento colaborativo (Google Docs), os programas de áudio digitais (podcasts), mapas conceituais, os vídeos (YouTube) para pesquisa, comunicação, desenvolvimento de projetos, para divulgação dos resultados, para ajudar os alunos na motivação e para aprendermos juntos em rede.
A internet é tão real quanto a sala de estar de sua casa ou quanto a escola. É um local de encontro, um ciberespaço social. E por isso que os blogs tornaram-se' populäres entre os jovens. Os blogs são diários digitais que todos podem acessar. É possível escrever sobre qualquer coisa: histórias, convicções, experiências, fotos, jogos, qualquer coisa que você deseje compartilhar com o mundo. A diferença em relação a um site comum é que os blogs oferecem facilidades para a comunicação com os leitores, amigos, colegas ou qualquer pessoa que sinta necessidade de contatá-lo. (Veen e Vrakking,2009, p. 43)
Com a disseminação da internet nas escolas existe a possibilidade de reconstruir a forma de aprender e ensinar, antes buscava-se informações na rede mundial de computadores, hoje utiliza-se a web 2.0 para divulgar textos, projetos, vídeos produzidos por alunos e professores, esta é a real possibilidade de inovação da mediação pedagógica do professor do século XXI, que pesquisa, produz conhecimento e assim ensina e aprende ao mesmo tempo.
O nativo digital têm acesso também aos recursos multimídia na internet, vivencia o mundo virtual, o mediador da aprendizagem pode oportunizar a elaboração de histórias infantis produzidas por eles em ambientes da web 2.0, assim os textos ganham movimento, sons e interatividade, participar de jogos online que estimulam a aprendizagem, no computador utilizar as ferramentas de desenho que possibilitam a releitura de telas de pintores, a produção de personagens de histórias próprias e ilustrações de conteúdos significativos, cálculo mental por meio de jogos criados pela própria criança em planilhas online que devem ser resolvidos pelos colegas, o professor mediador deve conhecer o que os alunos fazem nesses ambientes para tornar os componentes curriculares difíceis mais atraentes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. MEC.Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacional. Brasília, 1998.

DEMO, Pedro. EDUCAÇÃO HOJE: "Novas" Tecnologias, Pressões e oportunidades. Atlas, São Paulo, 2009.

MASSETO, Marcos, T. Mediação pedagógica e o uso das tecnologias. In: MORAN, José Manuel; MASSETO, Marcos, T; BEHRENS, Maria Aparecida. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas –SP: Papirus, 2000.

VEEN, Wim e VRAKKING, Bem.Homo Zappiens- Educando na Era Digital. (tradução: Vinícius Figeira). Porto Alegre: Artmed, 2009.

WEBLIOGRAFIA

CYSNEIROS, Paulo Gileno. Novas Tecnologias na Sala de Aula: Melhoria do Ensino ou Inovação Conservadora? Informática Educativa Vol 12, No, 1, 1999 UNIANDES - LIDIE pp 11-24
http://ead1.unicamp.br/e-lang/multimodal/HatugaiTiposDeModalidade.htm -
Acesso em 5 de maio de 2011.

DEMO, Pedro. Remix e Autoria - Habilidades do século XXI. 2010
http://pedrodemo.sites.uol.com.br/textos/remix14.html
Acesso em 22 de maio de 2011.
MORAN, José Manuel. Como utilizar as tecnologias simples, gratuitas e interessantes na escola. 2009.
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/ListarMensagensForum.html?idTopico=96
Acesso em 14 de julho de 2011.
Nativos Digitais, Imigrantes Digitais. Por Marc Prensky.
http://depiraju.edunet.sp.gov.br/nucleotec
/documentos/Texto_1_Nativos_Digitais_Imigrantes_Digitais.pdf
Acesso em 14 de julho de 2011.
Resenha da obra “Homo zappiens: educando na era digital” de Wim Veen e Ben Vrakking.
Por Izabel Patrícia Meister1
http://www.pucsp.br/pos/tidd/teccogs/resenhas/pdf/teccogs_n3_2010_07_resenha_MEISTER.pdf. Acesso em 15 de julho de 2011.
http://www.4shared.com/get/Y1-VolWT/Novas_Tecnologias_e_Mediao_Ped.html
acesso em 13 de agosto de 2011.
http://www.4shared.com/get/_SdAZ_16/Livro_Homo_Zappiens_completo.html
Acesso em 14 de agosto de 2011.